quarta-feira, 4 de novembro de 2009

GOVERNO INVESTE EM TRANSPORTE NA CIDADE DE SÃO PAULO

O governo do Estado de São Paulo, está fazendo investimento na casa de 20 milhões nos Trêns e corredores de ônibus na capital paulista, com o objetivo de facilitar e melhorar a qualidade de vida de quase 2 milhões de usuários diários. Este mega-projeto chama-se Expansão São Paulo. É um plano ambisioso para uma cidade que apresenta problemas em vias de ônibus e linhas da CPTM. O projeto do governo estadual pretende, entre outras coisas, transformar as linhas dos trens em qualidade de metrô. Porém, o que se ver é uma contemplação privilegiada da Zona Sul em detrimento de outras. Por exemplo, a zona Oeste (noroeste).

Pelo visto, a solução para o imenso tráfico engarrafado passará sem dúvida pelos trilhos. As avenidas e marginais não suportam mais veículos motorizados. Quem depende do automóvel para se locomover pode relatar experiências desagradáveis sem muita dificuldade. A modernidade trouxe "carrões" com muito conforto, porém, não pensaram que num futuro próximo faltaria espaço para colocá-los rodando nas grandes cidades.

Então, pode se concluir, que o projeto Expansão São Paulo se transformou numa indulgência da modernidade. O desafio que os governos terão daqui para frente é enfrentar, além de segurança, saúde, educação, e sem dúvida, a questão dos transportes. Torna-se necessário a integração de todo sistema, criando pontos que permitam os usuários se locomoverem com rapidez e preço baixo para qualquer ponto dentro da cidade. Sem dúvida, trata-se do maior plano de expansão e integração na história dos transportes metropolitanos. É o maior investimento já feito no setor. Todos os trens da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), vão passar a ter qualidade de metrô, e isso é uma ótima notícia para os usuários que terão mais conforto em suas viagens.

No entanto, toda essa melhoria dá indícios de que será exclusiva apenas para algumas pessoas. O trem da zona sul é muito melhor que de outras regiões. Desde o início do Plano de Expansão, três novas estações e 12 novos trens chegaram à linha 9 (Esmeralda) – aumentando em 8,5 km a extensão – enquanto em outras linhas nada de trem novo. 40 novos trens irão para as linhas 7 (Rubi) e 12 (Safira); outros oito irão para a linha 9; enquanto isso, nenhum trem novo chegará à linha Turquesa.


Porém, a subprefeita da Lapa, Soninha Francine (PPS), discorda desse ponto de vista. “Apesar da visão que as pessoas têm de que a linha 9 é elitista porque ela passa ali do lado da Berrini, porque as estações são mais bonitas e os trens novos estão lá, a linha sul atende o povão do fundão da zona sul”, diz a subprefeita. “E tem mesmo de fazer investimentos ali porque a demanda ali é monstruosa, é trem lotado o dia inteiro”, conclui Soninha.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

A INCONVENIÊNCIA DOS GUARDAS DA CPTM

Nas últimas semanas temos assistido pela mídia muitas e variadas reclamações dos guardas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Este é um tema polêmico, porque muitas pessoas defendem suas presenças nas estações e nos trêns.

Ao conversar com os usuários, não será difícil encontrar relatos que testificam o abuso de autoridade do qual alguns fazem questão de usar. Vá de truculência a desreipeito.

Claro, que não é preciso generalizar, existem àqueles que prezam pela boa educação e procuram orientar os usuários. Porém, esse tipo de profissional está cada dia mais raro. Se o objetivo é zelar pela segurança, já passou da hora do governo do Estado de São Paulo oferecer cursos de qualidade que preparem esses profissionais. Pelo visto, é o que parece não estar acontecendo.

João Soares, 23, relata que "estava encostado na parede da Estação da Barra Funda, quando chegou um guarda "marrozinho" e, além de falar grosseiramente enfiou o dedo em suas costelas pedindo para tirar o pé dali que ele não estava em sua casa".

A aluna Maria Izidora, 18, estava tirando fotos históricas na Estação da Luz quando chegou um desses guardas armado, e dirigiu-se a mim de forma grosseira dizendo que não podia tirar fotos dali. E,o pior é que ele queria pegar minha máquina fotográfica, a todo custo ,para ver se tinha tirado fotos. Achei uma atitude inaceitável".

"Estava sentado no assoalho do trêm que vai sentido Itapevi, quando veio correndo em minha direção um guarda de uniforme azul e apitou tão alto que chamou atenção de todos que estavam no vagão. E dizia que eu era muito folgada, e estava tomando espaço de outros usuários, conta, e pegando minha mochila me fez levantar a toque de apito".

Concorda-se que em todas essas situações os usuários tiveram postura errada. Contudo, ao pretender ter um trêm de qualidade e conforto, o governo deve dar o exemplo de educação, orientação, bom trato e cordialidade. Afinal, os usuários estão pagando por esse serviço, e são trabalhadores que vão para o trabalho, ou retornam para suas casas.

Um dos caminhos para solucionar essas questões, segundo a professora Rozana Aurrichio, é a reeducação dos usuários por meio de campanhas educativas nas próprias estações, nas escolas e na mídia". Conclui.

A CPTM, precisa divulgar melhora suas regras. Explicar o que é permitido, dizer seus limites, e conscientizar as pessoas por meio de informações. Explica o especialista em educação Ivan Fortunato.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

A FEBRE DOS CLIQUES DIGITAIS

Guardar os momentos especiais em fotografias é algo prazeroso e que se tornou uma tradição para muitas pessoas. A ansiedade por esperar o filme ser revelado e enfim conferir todos os detalhes pode ser considerado coisa do passado. A tecnologia evoluiu, e para gravar ocasiões especiais em fotos, não é necessário mais ter o trabalho com filmes e revelações, além do manuseio com os trambolhos do passado. As câmeras digitais vieram para revolucionar o mundo das imagens.
Em muito pouco tempo, essa novidade se tornou febre no Brasil e ainda não sabemos onde isto pode chegar. As primeiras câmeras digitais eram muito diferentes das que conhecemos hoje em dia. Bem maiores do que encontramos atualmente e menos versáteis, elas evoluíram, assim como as tecnologias que cercam o mundo. As câmeras digitais possuem alguns cúmplices, que foram ajudando no seu desenvolvimento.

Mundo dos Megapixels
Ter um computador não é obrigatoriedade para aquelas pessoas que querem ou se interessam por uma câmera digital. Atualmente, as grandes redes de supermercados possuem dentro de suas lojas, lugares que fazem a revelação, tanto de película (filme fotográfico) quanto de fotos digitais.
As fotos digitais ainda podem ser reveladas com o cartão de memória da própria máquina, descarregando todo o conteúdo imediatamente, sem a necessidade de um computador. Se revelar as fotografias é fácil, tirá-las é mais ainda!
Para aqueles que possuem um computador, os álbuns de fotografias podem virar coisas do passado. Tudo porque os CDs graváveis servem como um álbum que comporta muitas fotos. Além de ser possível conferir as imagens com muitas pessoas ao mesmo tempo. Simples, se você tiver um DVD e ele for compatível com o arquivo dos retratos, o álbum poderá ser admirado na televisão da sala.

Diferenciais com praticidade
Quem não ficou curioso por ter tirado uma foto e não ter como vê-la no momento? E se depois dessa foto ter sido revelada, ela não ficou boa? As máquinas analógicas podem pregar essas peças. Já com as digitais, as unhas poderão ser poupadas pela ansiedade. Os pequenos monitores são o grande atrativo dessas câmeras. Através deles é possível selecionar as melhores fotografias, logo após o clique.
Além da praticidade de escolher as melhores fotos, a curiosidade também é saciada instantaneamente com essas telas. Todos podem se reunir em volta da própria máquina e conferir como a fotografia ficou. Agora fazer piadinhas nas fotos e colocar chifrinhos nos amigos sem eles perceberem, terá uma duração menor, pois elas podem ser apagadas.
Um dos diferenciais das máquinas está exatamente no tamanho das telinhas. Geralmente são encontradas câmeras com telas de três polegadas, mas também existem as com cinco polegadas, que são maiores e dão uma maior noção dos detalhes das imagens. Um monitor maior é perfeito para aqueles que já tem uma experiência com fotografias e querem tirar fotos minuciosas e mais bonitas.

A qualidade dos cliques
É possível saber a qualidade das fotos antes mesmo de tirá-las; basta saber qual máquina está sendo usada. A qualidade dela é determinada principalmente pela quantidade de megapixels que câmera possui. Mas o que são os megapixels? Os megapixels estão ligados à resolução da imagem. Cada pixel armazena um ponto da imagem que está sendo fotografada; os megapixels contêm centenas de pixels. Quanto maior for o número de megapixels da imagem fotografada, melhor será a qualidade e também a impressão da foto.
Como você pode perceber, ter uma foto com uma boa qualidade não depende apenas do fotógrafo, mas também do equipamento. Por exemplo: uma câmera digital com a resolução de 1.2 megapixel gera fotos que podem ser impressas com o tamanho de 5,42 por 4,06 centímetros – quase uma foto 3x4. Isso ocorre justamente pela foto ter uma baixa resolução. Para se obter uma fotografia com o tamanho normal (que conhecemos) – 17,34 por 13 centímetros – é preciso ter uma câmera com a resolução de 3.2 megapixels.
Confira no quadro de “dicas” algumas noções de fotografia, e que pode ajudar a melhorar as fotos tiradas.

O mercado cresce
Este mercado está em franca ascensão e ainda não vemos onde ele pode parar. Tirar fotos virou mais que uma tradição, e sim, uma diversão em qualquer momento. Por isso, o supervisor geral das Lojas Cem, Valdemir Coleoni, se diz otimista no mercado de câmeras digitais, sobretudo na área de tecnologia: “O mundo todo mostrou um grande fascínio pelas câmeras; esse é um artigo de alta tecnologia”, exclamou o supervisor, que ainda falou sobre a importância da variedade existente no mercado.
“Nós vendemos cerca de 1.200 itens no geral em nossas lojas. Só as câmeras estão entre 20 e 30 itens pela variedade”, explicou Valdemir. Nas lojas, é possível encontrar câmeras de R$ 300 até mais de R$ 2.000, que são câmeras semi e profissionais. Valdemir Coleoni lembra que as mais vendidas estão na faixa dos R$ 400a R$ 500. O supervisor que comparou as câmeras analógicas aos videocassetes e as câmeras digitais aos Dvds, ainda lembrou a grande facilidade de comprar, atualmente. “Com os valores sendo financiados em 20 vezes e com cartões de crédito, é muito fácil adquirir uma máquina digital. Quase tão fácil quanto tirar fotos com ela”.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

A INTERNET APROXIMA AS PESSOAS

Recorrer à tecnologia para encontrar relacionamento sério ou por mero prazer casual já é uma realidade na sociedade pós-moderna.

Recurso virtual
Foi se o tempo que para conhecer pessoas e matar saudades usava-se, apenas, o envio de cartas, telefonemas ou deslocamento de automóvel. Com o surgimento do microcomputador e o avanço dos recursos de informática os indivíduos estão se comunicando mais e por um custo menor. O estudante, João Guilherme, 19 anos, diz: “no domingo fico na Internet quase o dia inteiro, porque a gente paga apenas um pulso de telefone. Faço trabalhos escolares, teclo com minha namorada e amigos”.

Coisa do passado
Ficar triste e carente não é coisa dessa geração. As pessoas estão se conhecendo e mantendo relacionamentos por intermédio de computadores. Curioso, diferente, estranho? Para alguns sim. Mas, a verdade é que está na moda marcar um encontro ocasional ou uma relação mais profunda com a ajuda do recurso virtual. É isso mesmo, a tecnologia está ajudando no encontro de casais tanto local quanto global. Marcela Pinheiro, 27 anos, confessa: “no começo não acredita que era possível encontrar um grande amor pela Internet. Hoje estou noiva com um rapaz que mora noutra cidade, graças ao bate-papo no computador”.

Cadastro
Os sites especializados em relacionamento, paquera, namoro e casamento cobram uma taxa mensal por esse serviço. O candidato faz o cadastro e informa as características do pretendente. O site encarrega de pesquisar em seu banco de dados alguém com o perfil solicitado e, encaminha para o e-mail a mensagem que foi encontrado uma pessoa com as qualidades solicitadas. Aí, é só entrar em contato com seu pretende virtual e marcar aquele encontro. Também, existe o bate-papo em sites gratuitos que são bastante freqüentados.

Aldeia global
Não é de se estranhar que a Internet tem sido uma alternativa favorável à comunicação. E, sem dúvida, atualmente, a mais usada. O cientista Marshall Mcluhan em 1968 delineou o conceito “aldeia global”. Ele escolheu a palavra aldeia por que é um lugar onde as relações humanas são desenvolvidas com proximidade, vizinhança e intimidade. Para Mcluhan, este modelo de comunicação adquire uma dimensão global graças à mediação da tecnologia. A experiência de Aretha Medeiros pode confirmar essa tese, “Morei dois anos em Londres e matava a saudade de minha família e amigos pelo sistema de comunicação on-line (MSN). Além das mensagens podia vê-los pela webcam. Tinha a impressão que estavam ali todos juntos compartilhando da mesma intimidade. Isso é maravilhoso”.


Cuidados
Os navegadores do ciberespaço devem se precaver de alguns intrusos de privacidade. Cuidado é a palavra chave. Para evitar internautas má intencionados não abra e-mail de desconhecidos; não informe dados de conta bancária ou cartão de crédito; verifique se o site aberto é o oficial da empresa e instale um bom antivírus.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

SAIBA MAIS SOBRE A LER

Com o advento da tecnologia, tornou-se mais frequente o atendimento de pessoas com Lesão por Esforço Repetitivo

Conhecida popularmente por LER, a Lesão por Esforço Repetitivo atinge a muitos brasileiros que exercem funções repetitivas em seus trabalhos. Como os digitadores, pessoas que trabalham em linha de produção e até mesmo os atletas são alvos da tendinite, bursite entre outras doenças. Elas podem deixar a pessoa impossibilitada para o trabalho, e por isso é importante precaver-se para não sofrer nenhuma lesão.

O maestro e pianista, João Carlos Martins, 68, um dos maiores pianistas brasileiros de todos os tempos, luta desde a juventude para superar problemas que foram se acumulando em suas mãos. Além, de levar um tombo em Nova York, e ter o braço direito perfurado. Sofre com a Lesão por Esforço Repetitivo (LER). Ao todo, passou por nove cirurgias nas duas mãos. Desde janeiro, toca piano com todos os dedos da mão esquerda e um dedo da direita.

Engana-se quem pensa que a LER é uma doença da modernidade. Ela existe há mais de 100anos e era considerada a doença dos escribas, ou seja, pessoas que escreviam a mão. Mas foi na década de 90 que a sigla ficou mais popular – devido ao contínuo desenvolvimento tecnológico, como por exemplo, o uso constante dos computadores.

Atualmente as Lesões por Esforço Repetitivo são chamadas de Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DOTR). São termos usados para distúrbios ou doenças desenvolvidos no ambiente de trabalho que comprometem o sistema muscular e esquelético .

"A LER, ou DOTR, evoluíram em nível mundial, pois as doenças estão relacionadas com atividades repetitivas feitas com as mãos,e o uso dos computadores vem contribuindo para o desenvolvimento dessa síndrome." Explica o fisioterapeuta Francisco Sales.

Dennet e Fry, em 1988, classificaram a doença, de acordo com a localização e fatores agravantes:

Grau 1 - Dor localizada em uma região, durante a realização da atividade causadora da síndrome. Sensação de peso e desconforto no membro afetado.
Grau 2 - Dor em vários locais durante a realização da atividade causadora da síndrome. A dor é mais persistente e intensa e aparece durante a jornada de trabalho de modo intermitente.
Grau 3 - Dor desencadeada em outras atividades da mão e sensibilidade das estruturas; pode aparecer dor em repouso ou perda de função muscular; a dor torna-se mais persistente.
Grau 4 - Dor presente em qualquer movimento da mão, dor após atividade com um mínimo de movimento, dor em repouso e à noite, aumento da sensibilidade, perda de função motora. Dor intensa, contínua, por vezes insuportável, levando o paciente a intenso sofrimento.

Algumas das medidas de prevenção é Sentar-se corretamente na forma anatômica, com as plantas dos pés totalmente sobre o chão, os braços apoiados no apoiador da cadeira e exercícios de alongamento de mãos e braços; adequar-se aos postos de trabalho com uma postura correta, realizando pausas programadas, ginástica laboral, revezamento de atividades entre outras. Lembra a fisioterapeuta Sorhai Nakamura.

Os esportistas, jogadores e funcionários que trabalham em indústrias ou em uma esteira são vulneráveis às lesões. E, o grande culpado pode ser a exigência pela alta produtividade, que costuma exigir um ritmo acima do normal dessas pessoas. Por isso, é importante ter postura, porque no final da atividade é possível adquirir lesões que poderão agravar com o tempo.

Assim que é percebido esses distúrbios O funcionário deverá procurar o coordenador ou o técnico de segurança do trabalho de sua empresa, a fim de comunicar- lhe a situação e solicitar mudanças no seu posto de trabalho. Também deve fazer pausas, alongamentos e revezamento de suas atividades, para diminuir o desconforto existente em sua coluna e musculatura", orienta Nakamura.

Quando a pessoa desenvolve a doença, se seguir os procedimentos médicos, dependendo do estado da lesão existe a probabilidade de cura. "Caso contrário o melhor tratamento é o afastamento das atividades quando possível. Já que, a automação do trabalho humano exige rapidez nas funções que agrava a lesão, podendo deixar o trabalhador incapacitado", afirma Francisco Sales.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

A CADA DIA, AUMENTA A PROCURA POR CURSOS OFERECIDOS PELA MODALIDADE DE ENSINO À DISTÂNCIA

Novo formato permite que aluno não esteja fisicamente presente em um ambiente formal de aprendizagem

A chegada das Novas Tecnologias de Comunicação e Informação no mundo moderno/contemporâneo modificou as estruturas sociais. A política, a economia, a administração, a área de saúde, educação, entre outras, foram obrigadas a se ajustarem a essa realidade.

A globalização, o crescimento do mercado interno e externo, a busca pela fabricação de novos produtos e a busca por profissionais qualificados foram motivos emergenciais para conduzir milhares de pessoas às escolas e universidades. Estar atualizado tornou-se uma necessidade primordial e constante. E, a única saída, aparente, é a formação acadêmica.

Por essa razão, os órgãos responsáveis pela gestão educacional, em nosso país, o Ministério Educação e Cultura (MEC), buscou medidas legais para implantar e fiscalizar a Educação a Distância (EaD), visando atender essa demanda.

Em sua forma empírica, a EaD é conhecida desde o século XIX. Entretanto, somente nas últimas décadas passou a fazer parte das atenções pedagógicas. A procura por essa modalidade de ensino vem aumentando, a cada dia, justamente pela necessidade do preparo profissional e cultural por vários motivos. Entre estes, pode-se destacar àquelas pessoas que não podem freqüentar um estabelecimento de ensino presencial.

Segundo a tutora presencial (que acompanha os alunos nos encontros presenciais), Jackline Roberta “a EaD possibilita a inserção do aluno como sujeito de seu processo de aprendizagem, com a vantagem de que ele também descobre formas de tornar-se sujeito ativo da pesquisa e do compartilhar de conteúdos”.

No dia 28 de abril de 2009, o repórter da Rede Globo de Televisão, Alan Severiano, esteve visitando várias Instituições que oferecem Ensino à Distância para escrever uma série de reportagem que foi exibida pelo Jornal Nacional. Uma das selecionadas, foi a Escola João 23 que mantém em regime de parceria com a Universidade Norte do Paraná (UNOPAR), um Pólo EaD localizado na Avenida Penha de Franca, 35 Penha - SP. Atualmente, são oferecidos os cursos de Pedagogia e Tecnologia em Processos Gerenciais. “A fórmula para encurtar a distância desses tipos de cursos é aumentar a interatividade”. Comenta Severiano.

Os cursos oferecidos por essa modalidade possuem um formato bem diferente dos tradicionais. Os encontros presenciais ocorrem uma vez por semana. Os alunos recebem as informações da aula via satélite por um professor (Tutor eletrônico). E, ainda existe a possibilidade dos alunos tirar as dúvidas pela Internet, no mesmo momento que ocorre a transmissão da aula via satélite. Além dessas ferramentas, existem várias maneiras de se fazer conexões, por exemplo, os correios, o rádio, a televisão, o vídeo, o CD-ROM, o telefone, o fax, o celular, o iPod e o note book.

Porém, os encontros presenciais não deixam de existir, e os alunos aproveitam para socializarem, discutirem e tirarem as dúvidas. O fator humano e social complementa o ensino aprendizagem.

Para Coordenadora, Sirlene Elias, Escola João 23, “a globalização, o crescimento do mercado, as necessidades de estar bem atualizado e com uma formação profissional é indispensável. E os alunos que possuem tempo escasso, principalmente nos grandes centros, a EaD proporciona oportunidades de aprendizagem àqueles que até então, não tinham disponibilidade necessária para um curso presencial”.

Educação à distância é a modalidade de ensino que permite que o aprendiz não esteja fisicamente presente em um ambiente formal de ensino-aprendizagem. Diz respeito também à separação temporal ou espacial entre o professor e o aprendiz. Tem como objetivo orientar e facilitar a vida de alunos, nos quais possuem o tempo escasso, proporcionando oportunidades de aprendizagem àqueles que até então, não tinham disponibilidade necessária para um curso presencial.

Para Rosana Auricchio, tutora presencial, “a Educação à Distância deve ser vista como possibilidade de inserção social, propagação do conhecimento individual e coletivo, e como tal pode ajudar na construção de uma sociedade mais justa e igualitária. É nesta direção que a Universidade vê a possibilidade de formar cidadãos conscientes de seu papel sócio político, ainda que vivam em regiões onde a oportunidade de ensino de qualidade seja remota ou que a vida contemporânea reduza a disponibilidade para investir nos estudos”.

As Novas Tecnologias de Informação e Comunicação vem proporcionando uma ampliação no mercado do ensino à distância, o que se torna um desafio tanto para o educador quanto para o educando.

Veja alguns termos:

Secretaria de Educação a Distância (SEED): Secretária de Educação a Distância.
Portifólio: Instrumento que compreende a compilação dos trabalhos realizados pelos estudantes, durante um curso ou uma disciplina.
Fórum: Reunião ou local de reunião sobre tema específico ou para debate público.
Download: Significa copiar determinado programa ou arquivo da internet para seu
computador.
E-learning: Processo de aprendizagem a distância via internet.
Hypertexto: É uma forma não linear de apresentar e consultar informações. Vincula as informações contidas em seus documentos, criando uma rede de associações complexas através de hyperlinks ou links.
On-line: Estar conectado na internet.
Tutor eletrônico: Ministrante do curso a distância, que ajudará quando surgir uma dúvida, realizar um exercício ou desenvolver uma pesquisa.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

HISTÓRIA BASEADA NA VIDA DE UM EX-PRESIDIÁRIO

Sidney Francisco Sales tinha todos os motivos para ser um fracassado. Nasceu pobre,negro e se transformou num bandido de grande periculosidade

“Pai Nosso, que estas nos céus,
Santificado seja o teu nome;
Venha Teu reino, seja feita a Tua vontade,
Assim na terra como no céu...”

O dia 02 de setembro de 1989 foi corrido e de muitos acertos. Todos estávamos decididos, poderosos, armados e cheios de confiança. O líder do grupo iniciou a reunião com a reza do Pai Nosso. Acreditávamos que seríamos abençoados e protegidos das conseqüências que o mundo do crime trás. Só assim, guiados pela mão de Deus poderíamos sair para mais uma missão, entre tantas, que já havíamos cumprido. Dessa vez, tinha sido escolhida a Ponte dos Remédios, que cruza o Rio Tietê, na cidade de São Paulo.

Essa ponte constitui parte do sistema viário da Marginal Tietê, a via possui quatro pistas, divididas em dois sentidos cruzando o Rio Tietê. São 300 metros de cumprimentos sustentados por pilares que fazem a interligação das Ruas Silva Airosa e Major Paladino, na Vila Leopoldina, à Avenida dos Remédios, na cidade vizinha de Osasco. O ponto escolhido para o assalto, dessa vez, foi na saída da ponte, na região de Osasco. Tudo estava planejado nos mínimos detalhes: rádio de comunicação; roupas apropriadas; automóveis para a fuga; armamentos e muita munição.

Ao analisarmos o planejamento nada poderia sair errado. O Jagunço, nosso informante, passou todas as características do caminhão e que no máximo em cinco minutos estaria passando no ponto determinado. Alertou-nos: “Lá vem o caminhão...!” A carga era muito valiosa, estava estimada em setecentos e setenta e cinco mil cruzados novos em carga de AZT - remédio contra a AIDS. A empresa era a Transdroga, especializada em transportes de remédios. Estávamos prestes a pôr a mão em toda àquela grana. Para mim, então nem se fala, aos 19 anos ter a minha parte em dinheiro vivo era o que mais desejava. Iria dar presente para minhas namoradas e deixá-las feliz. Após o assalto era só levarmos o motorista, o ajudante para o cativeiro e entregar a carga ao receptor em Rudge Ramos, no ABC Paulista.

Levamos os reféns a um cativeiro no bairro de pedreira, e pagamos Cz$ 1.000,00 para essas pessoas cuidarem deles. Partimos, então, para levar a carga ao local de receptação. Até àquela hora estava tudo perfeito, nem sinal dos “homens”. Porém, não demoraria muito para percebermos que “casa tinha caído”. A operação deu com os “burros n’água”. A Polícia já estava aproximadamente oito meses no encalço da quadrilha, descobriu os planos de ação e de maneira brilhante estava estrategicamente pronta para interceptar, agir e nos render.

Logo após a entrega da carga, prendeu Nelson e o Wilson. Depois de os torturarem nos “caguetaram”, o que possibilitou à polícia fazer o flagrante no local onde estávamos dividindo o prêmio. A casa ficou toda cercada. Eram muitos policiais. Invadiram o local, nos algemaram e nos levaram.

Adolescência conturbada
Sidney Francisco Sales tinha todos os motivos para ser um coitado. Nasceu pobre e negro, porém poderia locomover para qualquer lugar, sem empecilhos. Paulistano de um bairro da periferia chamado São José. Filhos de pais analfabetos e trabalhadores de roça, todavia, especialistas em integridade e honestidade. Seu Sebastião Francisco Sales e dona Maria da Conceição Sales migraram de São João Del Rei, MG, para tentar uma vida melhor na cidade de São Paulo.

Como frutos do casamento, além de Sidney, nasceram quatro meninas. A vida na capital colocou vários obstáculos que impediram acompanhar o crescimento dos filhos de perto. Os meninos cresceram quase sozinhos, pois as atividades de construção civil e doméstica dos pais tomavam todo o tempo. Mesmo assim, a renda era insuficiente para atender as necessidades de casa. Por ser o único filho homem recebia um pouco mais de atenção, amor e carinho de seu pai e isso tornou sua infância um pouco melhor. Sua mãe era mais severa e disciplinadora. Devido os perigos que a rua oferecia obriga que os filhos ficassem trancados em casa.

Porém, por Sidney ser uma criança travessa, pulava a janela e ia para o campinho jogar bola. Queria seu espaço, encontrar com os amigos, buscava a liberdade. Não gostava de ficar em casa de jeito nenhum. Às vezes, se isso não bastasse, quando seu pai chegava do serviço, muitas vezes estava embriagado – tinha muitos problemas com o alcoolismo -, discutia com a mulher e queria bater nos filhos. Na escola havia comparações de roupas, material escolar, mochilas que sempre eram melhores do que as coisas que Sidney usava. Calçava uma “conga” – uma espécie de sapato de lona -, e os outros alunos tênis de marca; levava o material escolar num saco de arroz e essa situação causava um complexo de inferioridade muito grande.

Todavia, sempre procurou estar entre os melhores alunos da sala. Mas, na oitava série, já havia tendência para a rebeldia, cabulava aula, e a repetência foi inevitável. Aos quinze anos foi trabalhar na Escola Poti Mirim, ligada à Escola Albert Einsten. Começou com os serviços gerais da escola, depois passou para auxiliar o motorista de Kombi que buscava e entregava os alunos. Quando recebia o salário entregava tudo na mão de sua mãe, o qual usava parte para pagar o mercadinho, o gás, a luz e água. E se sobrasse algum valor ela me repassava.

Essa situação o deixava muito revoltado porque não dava para comprar as coisas que queria, por exemplo, tênis, roupas e sair para as festas. Cada vez mais a revolta aumentando em seu coração; e a ambição tomava conta de sua vida. Ir ao shopping era um problema, pois suas roupas não eram adequadas e sentia-se inferior aos demais. Aos quinze anos completou a oitava série, e para iniciar o colegial matriculou-se no período noturno. Quando terminava a aula ia para a casa de uma tia que ficava ali próximo, na favela do Bairro da Pedreira, onde morava seu primo, Niltinho, que nessa época já estava envolvido com drogas. Numa dessas visitas lhe fez um convite:
- Ney, vem aí cara. E aí mano, quer experimentar um barato diferente?
- Que barato é esse? – Perguntei.
- Maconha, baseado. Que um?
- E aí, é bom mesmo?
- Claro, prova aí...

Nesse dia teve o primeiro contato com as drogas, fumou o primeiro cigarro de maconha em companhia do primo. Não demorou muito para se tornar um dependente químico. Agora, além das coisas que queria comprar para compensar o complexo de inferioridade, tinha que sustentar o custo da droga. E cada vez mais, as coisas iam ficando difícil porque o dinheiro era muito pouco. Os amigos sabiam da habilidade de dirigir carros e motos, por isso convidavam para participar de diversos delitos e pequenos assaltos. A carência material, a ambição de ter coisas que nunca pode ter – carro, moto, casa própria -, levou Sidney a encurtar o caminho para conseguir tais sonhos.

Nessa altura de sua vida, aos 16 nos, a escola já não fazia parte de sua rotina. O que reinava em sua mente era o estímulo para conquistar muita coisa em pouco tempo e sem trabalho. Por isso, foi levado a aceitar outros convites para assaltar pessoas, comércio, lojas e posto de gasolina. Chegou o ponto que não teve outra escolha a não ser entrar de cabeça “no negócio”, e partir, realmente, para a criminalidade. Logo depois conheceu os amigos Rubens, Carlinhos, Gênico e Fernando, que formavam uma gangue, e lhe convidaram para participar de assaltos. Era uma quadrilha profissional e especializada em roubos de agências e postos bancários 24 horas dentro de empresas.

Certo dia conversaram com Sidney que deveria deixar as drogas, pois tinha que estar lúcido ao dirigir o veículo usado nos assaltos e, também, evitar o agravante caso fosse pego em flagrante pelos policiais. Sua função na quadrilha era importantíssima, por isso, tinha que estar “limpo” para levá-los e dar fuga do local do assalto. Sendo assim, seguiu as orientações do grupo tornando- se um motorista responsável e qualificado. Passou, então, a ir somente aos finais de semana, quando estava de folga, na favela do Bairro da Pedreira, ao barraco do iniciante no mundo das drogas – o primo Niltinho -.

Entre amigos
- E aí, bonequinha? Tá com medo? Vem ficar aqui na minha cela que, hoje mesmo você vira picadinho...
Eles gritavam em tom de ameaças, dizendo que iam nos cortar, matar... Os carcereiros nos advertiam para não nos influenciarmos com drogas, armas, facas, estiletes ou com quadrilhas formadas dentro do sistema carcerário, porque, se não eles usariam canos de ferro, correntes, cabos de aço e outras armas para nos bater. Certo dia apareceu alguém e perguntou:
- Tem alguém da zona sul ai? Aqueles homens começaram a gritar:
- Tem sim. Capão Redondo, Vila Joaniza, Nakamura, Santo Amaro, Jardim Ângela, Jardim Mírian, Parelheiros, Nove de Julho.
-Tem alguém do Grajaú, São José? Nessa hora me chamaram e eu cheguei ali perto da grade e o rapaz me perguntou:
- De onde você é?
- Eu sou do São José, respondi.
-Você não conheceu nem um Ney por lá?
- Poxa, sou eu mesmo.
- Quem ta falando aí?
- Aqui é o Judas, irmão da Tereza, do Jardim das Imbuias.
- E aí, como ta, mano? Ouvi falar muito de você. Inclusive nós mandávamos cigarro pra você. Você recebeu as encomendas?
- Claro tudo em cima. Tudo Tranqüilo.
- Quando sair daí, você vem morar conosco, na nossa cela.
Mas logo em seguida apareceu João Telo, um traficante que eu conhecia do Jardim Iporanga, próximo ao Bairro Parelheiros, e o Magrão, o Serjão, da Chácara Tanay; depois veiram alguns da estrada do M' Boi Mirim, o Bezerra, outros do Jardim Ângela, Nakamura; e apareceram alguns da Joaniza: o Tal, o Bongo, o Boy. Todos eles queriam que eu fosse morar com eles, pois todos eles foram ajudados por nós, quando estávamos em liberdade e, eles, presos. Como Judas havia me convidado antes, fui para a cela dele.

Carandiru
Desde as primeiras incursões no mundo do crime, passou por experiências de sofrimentos, violência, tráfico de drogas, assaltos a bancos, roubos de carga e muitas mulheres. Fez carreira na escola do crime. Foi preso, torturado, amaldiçoado. Afundou-se de corpo e alma nas drogas. O assalto na Ponte dos Remédios foi o passaporte para o inferno do Carandiru.

Ficou detido entre as paredes fedidas daquele lugar. Condenado a seis anos e quatro meses de reclusão em regime fechado. Ficou no Pavilhão 9, o mais abarrotado da cadeia, que abrigava 2,5 mil detentos. Ali existem duas celas de triagem e mais de trinta prisioneiros esperavam sua vez. Enquanto isso dormiam no chão e ficavam espremidos. Os presos só desciam para receber visitas aos domingos ou as quartas, das oito às quinze. Assim que chegavam os novatos, os outros subiam para ver se entre eles há amigos ou inimigos. Nesse caso, o desafeto é ameaçado de morte.

No dia 2 de outubro de 1992 ocorreu uma briga entre dois detentos no complexo penitenciário. A situação foi incontrolável e se propagou rapidamente para outros pavilhões. Sidney estava no quinto andar quando a Tropa de Choque da Polícia Militar entrou atirando, parecia mais uma festa de festim, era bala para todo lado. Quando desceu para a galeria viu corpos esticados no chão correu rapidamente para sua cela, e lembrou-se da Bíblia que sua mãe lhe havia dado, ajoelhou e leu o Salmo 91:

“Aquele que habita no abrigo do Altíssimo,
E descansa à sombra do Todo-poderoso
Pode dizer ao Senhor:
Tu és o meu refúgio e a minha fortaleza,
O meu Deus, em quem confio...”

Antes de terminar de lê-lo, foi abordado por um policial que ordenou que saísse da cela, tirasse a roupa e descesse até o térreo, onde outros detentos estavam nus.

Diante de uma cena horrível foi obrigado pelos policiais a carregar 25 cadáveres. Viu os companheiros de cela serem metralhados no massacre que matou 111 homens - segundo registros oficiais - tão pobres e negros quanto ele. Ao final de tudo, após o massacre, percebeu que estava vivo. Foi transferido para a penitenciária de Mirandópolis, onde ficou durante um ano e em seguida conseguiu a condicional.

Triste notícia
20 de abril de 1995. Fui visitar uma namorada que morava na favela de Iporanga, na grande São Paulo. Eu sabia que os traficantes de Iporanga me conheciam e começaram a ficar de olho em mim. “Estava brincando com fogo”. Usando uma moto Honda 750 Four, cheguei ao barraco de minha garota e naquela hora senti que algo estranho ia acontecer. João Loro, um traficante rival, veio até onde eu estava, sacou uma arma e começou a atirar. Foram quatro tiros, sendo o primeiro na nuca, outro no braço esquerdo, um terceiro tiro na espinha e o quarto na perna, e disparou ainda mais dois tiros que não me acertaram e caí no chão.

Quando tentei me levantar para pegar a moto, percebi que não tinha mais forças nas pernas. Caí novamente e comecei a tremer e ao mesmo tempo suava, e sentia calafrios. Faltava-me o ar, meu coração acelerou e o pânico tomou conta de mim. A vida que corria dentro de mim se desvanecia e lentamente perdia o controle dos sentidos. O João, vendo que não havia morrido, aproxima-se, carrega outra vez a arma, dispara mais seis tiros. E, por um “milagre” o revólver não consegue detonar as cápsulas. Tentou novamente, e não conseguiu. E disse:

– Vou embora Ney. Tu é ruim mesmo. Nem pra morrer tu serve. Tu tem é parte com o diabo, vou cair fora.

Algumas pessoas que moravam ali na rua assistiram tudo. Uma ex-namorada que morava próximo ficou sabendo e buscou uma perua velha. Reuniu alguns homens e me colocaram dentro de qualquer maneira. Assim, conseguiram me levar para o Hospital da Faculdade OSEC, em Santo Amaro. Os médicos fizeram uma cirurgia de emergência que duraram quatro horas. Após três dias de UTI, recebi uma junta médica e a assistência social para me informar a triste notícia que iria ficar paraplégico e teria que usar uma cadeira de roda para o resto da vida.

Ex-detento
Quem vê Sales sentado numa cadeira de rodas, vestido em seu terno de cor marrom e camisa branca impecável Pierre Cardin, cabelo e barba bem feitos, conversando com as pessoas sobre assuntos cotidianos e administrativos, dando conselhos e às vezes contando piadas - sequer imagina que já passou por tantos revezes. Pode ser considerado um Herói, pois se recuperar de uma vida de crime e drogas é uma vitória que poucos conseguem.

Quando terminou de cumprir sua pena, buscou integrar-se na sociedade. Mas, devido à descriminação por ser ex-prisidiário, negro, ter antecedentes criminais e não ter o segundo grau completo foi impossível ingressar-se no mercado de trabalho. Devido a tantos preconceitos e sem chance de ser um cidadão comum, decidiu voltar aos delitos e traficar drogas. A cadeira de rodas não foi empecilho, conseguia se locomover para todos os lados com tremenda agilidade e habilidade. Sua função era ser a isca para roubo de carga e num desses assaltos foi preso novamente e foi parar no 25º Distrito de Polícia de Parelheiros. Ali recebeu a visita de um grupo de missionárias evangélicas, e lhe fizeram uma pergunta que iria mudar sua vida:

– Aceita fazer um tratamento de recuperação para deixar as drogas?

Respondeu que sim. Após sair da prisão de Parelheiros foi para a casa de recuperação Liberto pela Palavra, em Jundiaí, SP. Na situação de ex-detento permaneceu cinco anos recebendo tratamento na clínica, localizada no bairro Rio Acima. Ao sair, criou seu próprio centro de recuperação, para tal empreendimento recebeu apoio financeiro e jurídico do Dr. José Carlos Marion e da Igreja Comunidade Cristã. Dessa forma, pode alugar uma chácara na estrada do Mursa, em Várzea Paulista, onde abriu o Centro Terapêutico Educacional Cristão para recuperação de dependentes químicos.

Hoje, aos 40 anos, é convidado para proferir palestras em escolas, universidades, comunidades e igrejas sobre Direitos Humanos, Discriminação, Criminalidade e Prevenção às drogas. De cor escura, dentes brancos, barba encravada e sem curso superior não mede esforços para atender quem bate à sua porta. Da escória da sociedade tornou-se uma pessoa influente e conhecida pela capacidade de superação. Atualmente exerce a função de Titular e Delegado do Conselho Municipal de Assistência Social da cidade de Várzea Paulista/SP.

Certa vez, às 4hs da manhã, do dia 04 de dezembro de 2003, toca a campainha da Casa de Recuperação. O segurança ao atender as pessoas que estavam no portão se depara com um quadro muito triste. Sidney ao sair para ver o que estava acontecendo vê um homem que tinha um lenço amarrado no pescoço e que mal conseguia falar. Ele tinha câncer e o tumor externo estava apodrecendo sua carne. Havia bichos comendo o corpo daquela pobre vida. Era mais um excluído que batia a sua porta pedindo socorro. Foi aceito sem cerimônias e levado para o quarto de Sidney, porque os outros internos não queriam dormir com ele por causa do mau cheiro - era carne apodrecendo em vida -Tomou a decisão de ajudá-lo e passava boa parte dos dias ao seu lado. Colocou a cadeira ao lado de sua cama, e fazia a terapia de colocar carne crua sobre seus ferimentos. O Hospital São Vicente da cidade de Jundiaí dava os medicamentos necessários, mas não aceitava interná-lo. Numa manhã, José Fernandes Pires perdeu o resto de vida que lhe sobrava. Porém, como quem adivinha que seu fim estava próximo, chama Sidney e numa conversa balbucia algumas frases de agradecimentos: Obrigado por tudo, pelo banho e a comida quente. Pela cama macia e o cobertor. Muito obrigado! Você me deu a dignidade que nunca imaginei que um dia pudesse ter no final de minha vida.